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Na clínica · 5 min de leitura

Primeira consulta no dentista: o que acontece, passo a passo

Saiba o que esperar da primeira consulta no dentista, como se preparar e como contar sobre o medo de dentista, se ele existir.

Recepção da clínica com tapete de ladrilho, plantas e janela ampla

Ir ao dentista pela primeira vez, ou depois de muito tempo, pode trazer um pouco de ansiedade. Uma parte disso vem de não saber o que vai acontecer.

Este texto conta, passo a passo, como costuma ser uma primeira consulta. Também traz dicas para você se preparar e para conversar sobre o medo de dentista, se for o seu caso.

Antes, um passeio rápido pelo lugar onde a consulta acontece.

Um passeio pela clínica0:30
O que aparece no vídeo

Imagens da clínica, sem pacientes e sem som: a fachada com o jardim, a recepção, a sala de espera, o jardim interno visto de cima, dois consultórios e a sala de radiografia.

Passo 1: a conversa

A primeira consulta começa com uma conversa, antes de qualquer exame. O dentista quer conhecer você e entender o que o trouxe até ali.

Segundo o NHS, o serviço de saúde do Reino Unido, nessa conversa o profissional pergunta sobre:

  • a sua saúde geral e os remédios que você usa;
  • sintomas na boca, como dor ou sangramento;
  • como você cuida dos dentes, por exemplo, quantas vezes escova;
  • a sua alimentação e se você fuma ou bebe álcool.

Também é o momento de contar o que te preocupa: uma dor, um dente que incomoda ou só a vontade de fazer um check-up. Não existe motivo “pequeno demais”.

Por que tantas perguntas sobre a saúde geral? Porque essas informações ajudam o dentista a decidir, com segurança, o que é indicado para você. Por isso, vale responder com calma e sem omitir nada. Tudo fica registrado no seu prontuário.

Passo 2: o exame

Depois da conversa, vem o exame da boca. O NHS explica que o dentista olha os dentes, a boca, os lábios e o pescoço, procurando sinais de cárie, de problemas na gengiva e de câncer de boca.

Para isso, ele pode usar:

  • um espelhinho, para ver as partes de trás dos dentes;
  • uma sonda, um instrumento fino para examinar a superfície dos dentes e a gengiva;
  • um jato de ar, para secar os dentes e enxergar melhor.

Se algo incomodar, você pode pedir uma pausa a qualquer momento.

Passo 3: radiografias e tomografia, quando necessárias

Nem toda consulta precisa de radiografia. A Associação Dentária Americana (ADA) explica que a decisão depende da sua saúde bucal, da idade, do risco de doenças e de sinais ou sintomas. O dentista olha a sua história e o resultado do exame para decidir. A própria ADA diz que você pode não precisar de radiografia em todas as consultas.

A ADA também explica que as radiografias odontológicas usam doses muito baixas de radiação, e que mesmo assim os especialistas recomendam usá-las com moderação.

A tomografia é um exame de imagem em 3D. A agência de saúde dos Estados Unidos (FDA) cita entre seus usos o planejamento de implantes, a avaliação de dentes com formato fora do comum e a avaliação dos maxilares e do rosto. A FDA lembra que a tomografia costuma usar mais radiação do que a radiografia comum, e por isso deve ser feita só quando for necessária para trazer informações que outros exames não dão.

Passo 4: o plano de tratamento

Com a conversa, o exame e, se for o caso, as imagens, o dentista explica o que encontrou. Se houver algo a tratar, ele apresenta um plano de tratamento.

O Código de Ética Odontológica, do Conselho Federal de Odontologia (CFO), considera infração ética deixar de esclarecer adequadamente os propósitos, riscos, custos e alternativas do tratamento, e iniciar um tratamento sem o consentimento prévio do paciente (salvo em urgência ou emergência). O código também garante ao paciente o direito de pedir uma cópia do prontuário.

Na prática, isso quer dizer que você pode, e deve:

  • pedir que o plano seja explicado com palavras simples;
  • perguntar se existem outras opções e o que acontece se esperar;
  • pedir o plano por escrito, para ler com calma em casa;
  • levar o tempo que precisar para decidir.

Se surgir uma dúvida depois, você pode voltar a perguntar.

Como se preparar

Algumas coisas simples deixam a consulta mais tranquila e aproveitada:

  • Lista de remédios. Anote os nomes e as doses de tudo o que você usa, inclusive vitaminas e remédios sem receita. Uma foto das caixas também ajuda.
  • Informações de saúde. Alergias, doenças, cirurgias, gravidez e tratamentos em andamento.
  • Exames anteriores. Se tiver radiografias, tomografias ou relatórios de outros dentistas, leve. Eles ajudam a comparar e, às vezes, evitam repetir exames.
  • Suas dúvidas anotadas. Na hora, é comum esquecer. Uma lista no celular resolve.
  • Um documento com foto.

Medo de dentista: como contar

Sentir medo de dentista não é motivo de vergonha. O mais importante é falar sobre isso. A ADA orienta contar à recepção e ao dentista sobre o seu nervosismo, inclusive sobre experiências ruins do passado.

Você pode dizer algo simples, como: “Eu fico muito nervoso no dentista. Pode me explicar cada passo antes de fazer?”

Outras dicas da ADA e da Oral Health Foundation, uma organização britânica de saúde bucal:

  • Combine um sinal para parar. Por exemplo, levantar a mão. Assim, você sabe que pode pedir uma pausa a qualquer momento.
  • Pergunte o que vai acontecer. Saber o que vem a seguir diminui o medo do desconhecido.
  • Leve alguém de confiança. A Oral Health Foundation lembra que a pessoa pode ficar com você durante a consulta, se você quiser.
  • Use fones de ouvido. Música ou um audiolivro ajudam a relaxar e a abafar os sons.
  • Respire devagar. A ADA sugere inspirar contando devagar e soltar o ar no mesmo ritmo, repetindo cinco vezes.
  • Conheça o lugar antes. A Oral Health Foundation sugere visitar o consultório antes, conversar com a recepção e dar uma olhada no ambiente, para que tudo pareça mais familiar.
  • Se a agulha te preocupa, avise. Segundo a Oral Health Foundation, o dentista pode aplicar um gel anestésico na gengiva antes da injeção.

E depois da primeira consulta?

O dentista vai conversar com você sobre quando voltar. O NHS explica que esse intervalo varia de pessoa para pessoa: de 3 meses a 2 anos, conforme a saúde da boca. Ou seja, a ideia de “a cada seis meses” não vale igual para todo mundo.

Converse com o dentista

A primeira consulta é, antes de tudo, um momento para se conhecerem. Leve suas perguntas, conte o que sente e o que te preocupa, e peça explicações sempre que precisar. Na avaliação, o dentista está ali para ouvir você e ajudar a entender a sua saúde bucal, no seu ritmo.

Fontes
  1. What happens when you visit an NHS dentist, NHS
  2. Dental check-ups, NHS
  3. X-Rays, American Dental Association (MouthHealthy)
  4. Dental Cone-beam Computed Tomography, U.S. Food and Drug Administration (FDA)
  5. Resolução CFO nº 118/2012 (Código de Ética Odontológica), texto reproduzido no Normas Brasil
  6. Anxiety, American Dental Association (MouthHealthy)
  7. Fear of the dentist, Oral Health Foundation

Este texto informa e não substitui a avaliação de um dentista.

Ficou com alguma dúvida?

Traga suas perguntas para a avaliação. O dentista explica cada etapa e entrega o plano por escrito.

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