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Dor orofacial · 6 min de leitura

Dor na mandíbula, estalos e ranger de dentes: o que pode ser

Entenda o que é DTM, os sinais mais comuns, hábitos que pioram a dor, cuidados gerais de alívio e quando procurar atendimento logo.

Consultório claro da clínica, com cadeira odontológica e vaso de flores amarelas

Dor perto do ouvido ao mastigar. Um estalo quando abre a boca. A sensação de que a mandíbula “trava”. Ouvir de alguém que você range os dentes à noite.

Muitas vezes, esses sinais estão ligados à articulação da mandíbula e aos músculos da mastigação. Mas também podem ter outras causas. Por isso, este texto serve para você entender o assunto, e não para chegar a um diagnóstico sozinho. Quem avalia é o dentista ou o médico.

Onde fica a articulação da mandíbula

A mandíbula, o osso de baixo da boca, se liga ao crânio por duas articulações, uma de cada lado. Elas se chamam articulações temporomandibulares, ou ATM.

O Instituto Nacional de Pesquisa Odontológica e Craniofacial dos Estados Unidos (NIDCR) explica que dá para senti-las colocando os dedos logo na frente das orelhas e abrindo a boca.

Onde fica a articulação da mandíbula

O que é DTM

DTM quer dizer disfunção temporomandibular. Segundo o NIDCR, não é uma doença só: é um grupo de mais de 30 condições que causam dor e dificuldade de movimento na articulação da mandíbula e nos músculos que a movimentam.

Alguns pontos que as fontes destacam:

  • É relativamente comum. O NIDCR estima que afete cerca de 5% dos adultos nos Estados Unidos, e que seja duas vezes mais comum em mulheres.
  • Muitas vezes melhora sozinha. O NIDCR diz que muitas DTMs duram pouco tempo e passam por conta própria. O NHS também diz que, em geral, o quadro melhora sozinho. Em algumas pessoas, porém, a dor se torna crônica.
  • A causa nem sempre é clara. O NIDCR cita uma combinação de fatores, como genética, estresse e a forma como cada pessoa percebe a dor. O NHS lista ainda o ranger de dentes, o desgaste da articulação e pancadas na cabeça ou no rosto.

Sinais comuns

O NHS e o NIDCR citam, entre os sinais mais comuns:

  • dor na mandíbula, perto do ouvido ou na têmpora;
  • dor nos músculos da mastigação, que pode se espalhar para o rosto ou o pescoço;
  • estalos ou ruídos ao mexer a mandíbula;
  • dificuldade para abrir bem a boca, ou mandíbula que trava;
  • rigidez na mandíbula;
  • dor de cabeça na região das têmporas;
  • mudança na forma como os dentes se encaixam.

Um detalhe que tranquiliza: o NIDCR explica que estalos sem dor são considerados normais.

E o ranger de dentes?

Ranger ou apertar os dentes tem um nome técnico: bruxismo. Segundo o NHS, ele pode acontecer de dia ou durante o sono, e muitas vezes é a outra pessoa da casa quem percebe.

O NHS cita como sinais dor na mandíbula, dentes gastos ou quebrados, dor de cabeça, dor de ouvido e sono ruim. Estresse e ansiedade são os gatilhos mais frequentes. Também podem contribuir o ronco, a apneia do sono, alguns remédios, o cigarro e o excesso de álcool ou de cafeína.

Nem todo bruxismo precisa de tratamento, diz o NHS. Quando precisa, o dentista pode indicar, por exemplo, uma placa noturna para proteger os dentes.

Hábitos que podem piorar

O NHS recomenda evitar, quando a mandíbula está doendo:

  • mascar chiclete ou morder tampas de caneta;
  • roer unhas;
  • morder alimentos com os dentes da frente;
  • bocejar com a boca muito aberta;
  • apertar os dentes.

Outra orientação do NHS: em repouso, os dentes de cima e de baixo devem ficar afastados. Eles só precisam se tocar quando você está comendo.

Cuidados gerais que podem aliviar

Cuidados simples citados pelo NHS e pelo NIDCR, que não substituem a avaliação:

  • Comidas macias, que exigem menos da mandíbula.
  • Compressa fria ou morna no rosto, sempre enrolada em um pano. O NHS sugere, no caso do bruxismo, compressa fria por 20 a 30 minutos.
  • Massagem suave nos músculos da mandíbula.
  • Técnicas de relaxamento, como exercícios de respiração, meditação ou atividade física.
  • Rotina de sono com horário regular, em um quarto escuro e silencioso.

As duas fontes citam analgésicos comuns, mas mesmo os vendidos sem receita têm contraindicações: converse antes com um profissional de saúde ou farmacêutico.

O que acontece na avaliação

Não existe um exame único e padronizado para diagnosticar DTM, segundo o NIDCR. O diagnóstico se apoia em três coisas: a sua história, o exame físico e, às vezes, exames de imagem.

Na prática, a consulta costuma incluir:

  1. Conversa. O dentista pergunta onde dói, desde quando, o que melhora e o que piora, se você range os dentes, como está o sono e o nível de estresse.
  2. Exame. Ele observa como a boca abre e fecha, toca os músculos do rosto e da mandíbula, escuta ou sente os estalos e examina os dentes e a mordida.
  3. Exames de imagem, se necessário. O NIDCR cita radiografia, ressonância ou tomografia em alguns casos. Muitas vezes, também é preciso descartar outras causas para a dor.

O cuidado pode envolver outros profissionais. O NHS cita médico, fisioterapeuta e psicólogo.

Sobre as placas usadas à noite, o NIDCR faz uma observação honesta: ainda há pouca evidência de que elas melhorem a dor da DTM. Se uma placa for indicada, ela não deve ser feita para mudar a mordida de forma permanente. E, se causar dor, o uso deve ser interrompido e o dentista avisado.

Converse com o dentista

Dor na mandíbula tem muitas causas possíveis, e entender a sua é o primeiro passo. Se esses sinais fazem parte da sua rotina, vale marcar uma avaliação. O dentista vai ouvir sua história com calma, examinar, explicar o que encontrou e conversar sobre os próximos passos.

Fontes
  1. TMD (Temporomandibular Disorders), National Institute of Dental and Craniofacial Research (NIDCR/NIH)
  2. Temporomandibular disorder (TMD), NHS
  3. Teeth grinding (bruxism), NHS
  4. Dental abscess, NHS
  5. Heart attack, NHS
  6. Infarto, Ministério da Saúde (gov.br)

Este texto informa e não substitui a avaliação de um dentista.

Ficou com alguma dúvida?

Traga suas perguntas para a avaliação. O dentista explica cada etapa e entrega o plano por escrito.

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